
Pela primeira vez, é possível observar em escala nacional como as empresas brasileiras pagam umas às outras, quais métodos predominam, quanto representam e como evoluíram nos últimos anos.
Enquanto há uma ampla oferta de dados sobre como consumidores pagam no varejo (P2P e B2C), o universo das transações entre empresas (B2B) permanece pouco explorado. Essa lacuna é especialmente relevante num país onde os pagamentos corporativos movimentam trilhões de reais por ano e são o eixo central do fluxo de caixa das organizações.
O Panorama do Contas a Pagar 2026 consolida informações inéditas sobre métodos, valores, volumes e comportamentos de pagamento entre empresas, revelando como o B2B brasileiro se estrutura. A análise evidencia que, entre 2023 e 2025, as companhias mantêm predominância dos métodos tradicionais, com uma redistribuição gradual em direção a formas eletrônicas e digitais, mas sem ruptura estrutural.
Além de mostrar as tendências de adoção, o estudo permite observar mudanças operacionais reais: exceções que se tornam rotina, pagamentos emergenciais e variações que afetam diretamente o fluxo de caixa, a previsibilidade e o controle financeiro das organizações.
Metodologia da pesquisa
Foram analisados dados anonimizados do banco de dados da Qive, considerando transações comerciais reais e a classificação por CNAE dos destinatários das notas fiscais como critério para agrupamento e identificação setorial.
A análise contempla o volume de compras e pagamentos realizados por cada segmento, com métricas de valor financeiro, volume de notas, ticket médio e variação percentual entre os períodos. Alguns números foram arredondados ao longo do texto, mas consulte as tabelas para os valores exatos.
Nesse momento de crescimento, muitas empresas reconhecem a necessidade de uma análise interna para se adaptar ao cenário brasileiro e às demandas do negócio. Essa análise passa por entender a estrutura organizacional, o time, o modelo de operação e os principais pontos de melhoria. Com isso, são definidos processos e tecnologias voltados para a eficiência e a melhoria contínua, gerando valor real.
Base total analisada (2023 a 2025):
Segmentos incluídos na análise
Varejo
Comércio varejista e atacadista, concessionárias, peças, distribuidores e e-commerce.

Indústria
Indústria de transformação, bens de consumo, bens de capital, automotiva, têxtil, papel, alimentos, química, farmacêutica.

Infraestrutura
Construção civil, transporte, logística, obras, saneamento, resíduos, armazenagem e correios.

Serviços
Serviços administrativos, financeiros, profissionais, criativos, limpeza, segurança, consultorias, agências, e facilities.

Energia
Eletricidade, gás, vapor, água, energia renovável e saneamento.

Outros
CNAEs residuais, intermediários, holdings, transporte especial e categorias não enquadráveis.

Agronegócio
Agricultura, pecuária, pesca, silvicultura e atividades correlatas.

Saúde e Farmacêutico
Indústria farmacêutica, hospitais, clínicas, laboratórios, planos de saúde.

Tecnologia
Telecom, software, hardware, internet, provedores, data centers e suporte TI.

Setor Público
Administração pública, autarquias, defesa e seguridade social.

Educação
Educação infantil, fundamental, superior, técnica, corporativa e treinamentos.

Entretenimento e Mídia
Mídia, rádio, TV, cinema, streaming, eventos, esportes, cultura e lazer.
Tipos de pagamentos analisados
01
Dinheiro: pagamento pode ter sido feito via transferência, boleto, pix e outros
02
Cheque
03
Cartão de Crédito
04
Cartão de Débito
05
Crédito Loja: crediário, troca de mercadoria ou crédito interno concedido pelo emissor
10
Vale Alimentação
11
Vale Refeição
12
Vale Presente
13
Vale Combustível
14
Duplicata Mercantil
15
Boleto Bancário
16
Depósito Bancário
17
Pagamento Instantâneo (PIX dinâmico e estático)
18
Transferência Bancária / Carteira Digital: operações via TED, DOC e carteiras digitais (como Mercado Pago, PicPay, etc.).
19
Programa de Fidelidade / Cashback / Crédito Virtual
90
Sem Pagamento: notas sem quitação no momento da emissão (como faturamento futuro, bonificação ou ajustes internos).
99
Outros: operações não classificadas ou não informadas.
Fonte e escopo
Dados internos da Qive consolidados a partir da base de clientes ativos.
Período: 2023 a 2025, com foco em evolução de métodos de pagamento B2B mencionados no campo tpag.
Apenas notas de produto, transacionadas entre CNPJs e com CFOPs de compra e venda
Notas únicas priorizadas pela por fontes oficiais (Sefaz) e com código de validação (digval)
Para complementar o estudo interno da Qive, temos uma pesquisa conduzida online entre 25/08/2025 e 18/09/2025, via Opinion Box, realizada sob pedido e com exclusividade para a Qive, reunindo 406 respostas de profissionais das áreas de administrativo, financeiro, fiscal, compras, contabilidade, TI e controladoria, abrangendo cargos desde analistas a C-levels.
Os participantes representam empresas de diferentes setores e incluem desde microempresas até grandes empresas. As respostas foram coletadas via questionário com algumas perguntas de múltipla escolha, garantindo uma amostra diversificada e um panorama completo da maturidade nas áreas de backoffice. Alguns dados apresentados do survey são recortes da pesquisa e, por isso, não totalizam 100%. Aproveite as informações!
Este estudo inaugura um olhar inédito sobre o comportamento de pagamento entre empresas brasileiras, um campo até agora restrito a análises internas ou fragmentadas.
Ao consolidar dados reais de transações B2B, a Panorama busca preencher uma lacuna de mercado e oferecer um retrato fiel de como circula o dinheiro nas relações corporativas: o que é pago, como é pago e com que frequência.
Essa leitura não apenas amplia o entendimento sobre eficiência e custos das operações financeiras, mas também fortalece a capacidade de auditoria, previsão de caixa e gestão de riscos, temas centrais para CFOs, analistas e jornalistas econômicos que buscam compreender os bastidores da saúde financeira das empresas brasileiras.







