Como as empresas compram e pagam no Brasil

Como as empresas compram e pagam no Brasil

Em terra de Pix, boleto ainda é rei no B2B. Apesar de o meio de pagamento instantâneo ser celebrado por sua agilidade e atualmente ser o método mais utilizado pelos brasileiros, o boleto segue soberano nas transações B2B, conforme mostram dados internos da Qive. Igualmente tradicionais, as transferências e os depósitos também possuem a preferência, variando conforme o setor.

Quais os tipos de pagamento B2B mais utilizados?

Quais os tipos de pagamento B2B mais utilizados?

Os números não mentem: na hora de efetuar os pagamentos, as empresas ainda dão preferência aos métodos tradicionais, com o boleto como protagonista absoluto das transações financeiras de contas a pagar.

Essa conclusão vem da análise de números internos da Qive, com dados anonimizados de sua base entre 2023 e setembro de 2025*, refletindo trilhões de reais em milhões de notas fiscais processadas anualmente.

R$ 3,7 trilhões

R$ 3,7 trilhões

em valor financeiro

315 milhões

315 milhões

de notas processadas

É o tamanho da base Qive analisada de 2023 até setembro de 2025

O levantamento considerou as transações comerciais, assim como a classificação dos destinatários das notas fiscais em 12 segmentos econômicos (via CNAE), observando o volume de compras e pagamentos por segmento para compreender como as empresas brasileiras pagam e quais métodos predominam no B2B.

Boleto segue soberano, em volume e em valor

Boleto segue soberano, em volume e em valor

Entre 2023 e 2025, o boleto manteve-se como principal meio de pagamento, representando 224 milhões de notas e R$ 2,4 trilhões em valor financeiro, embora tenha registrado uma leve queda:

de 70,4% para 64,9%

de 70,4% para 64,9%

Valor financeiro

de 73,2% para 69,3%

de 73,2% para 69,3%

Volume de notas

O período mostra uma redistribuição gradual em direção a métodos eletrônicos e digitais, mas sem alteração estrutural no padrão de pagamento B2B.

Share de volume de notas

Share de valor financeiro

Mesmo com o avanço de novos métodos, o boleto mantém sua predominância como principal instrumento de liquidação entre empresas, principalmente por seu alto controle e rastreabilidade, destacando-se em pontos que reforçam sua automação e segurança:

  • Integração entre documentos fiscais e financeiros em um único fluxo;

  • Estabilidade operacional e compatibilidade com ERPs;

  • Padronização bancária;

  • Facilidade de conciliação via DDA.

Regulamentado pela Núclea, o boleto mantém vantagens em segurança, automação e registro formal da transação, atributos que explicam sua ampla adoção no B2B brasileiro. 

Embora o boleto continue sendo instrumento com alto grau de rastreabilidade e automatização, ele não está totalmente isento de risco. Fraudes com boletos falsos vêm se tornando cada vez mais sofisticadas, como reconhece a Febraban, que alerta para adulterações na impressão e falsificações de dados bancários. Exigindo, por tanto, soluções antifraudes e, novamente, um processo eficiente de conciliação de documentos fiscais e financeiros.

A análise também mostrou que, em volume de notas, Transferências e Depósitos se consolidam, juntos, como uma segunda força relevante (19,5%), enquanto o pagamento em Dinheiro** se mantém relativamente alto (8% em 2025) para transações B2B, indicando que a digitalização total ainda não é uma realidade. Isso porque, apesar de seguir uma curva ascendente (indo de 0,2% em 2023 para 0,5% em 2025), o Pix ainda é um método bastante coadjuvante no volume das transações entre os CNPJs e também em valor financeiro (1,61% em 2025).

Análise do ticket médio de cada tipo de pagamento

A análise de evolução do ticket médio por método de liquidação reforça a soberania do boleto no B2B, mantendo valores estáveis e presença dominante em setores que exigem controle e previsibilidade. Ainda que o Pix e as transferências ganhem espaço, cada método ocupa seu papel — o boleto como gestor de fluxo de caixa, e os demais como alternativas de agilidade e integração em contextos mais automatizados.

Os dados mostram que os meios de pagamento de maior valor são: Vale, Depósito Bancário e Transferência Bancária/Carteira Digital, todos com valores médios acima de R$ 25 mil. Esse comportamento é típico de transações contratuais e recorrentes, realizadas entre empresas com relacionamento consolidado e processos automatizados de pagamento, sugerindo ainda integrações ERP-banco.

Apesar de ainda estar longe de competir com boletos ou transferências em valor absoluto, o Pix mais que triplicou seu ticket médio no período, saltando de R$ 2,8 mil para R$ 8,5 mil. Esse movimento indica uma evolução de uso: além de mostrar uma migração natural de empresas menores para o Pix em busca de eficiência e liquidez imediata, o aumento do ticket sugere também a adoção em transações interempresariais de maior confiança, em que o método pode substituir o boleto tradicional em algumas transações.

Cartão, cashback e crédito virtual mantêm tickets baixos (média entre R$ 2 mil e R$ 4 mil), indicando um uso voltado a pequenas compras e despesas operacionais. A leve alta no cartão (de R$ 3 mil para R$ 4 mil) indica expansão de seu uso corporativo, mas ainda limitado por custos de taxa e conciliação.

Apesar de representarem métodos em declínio no mercado, cheques e duplicatas mantêm tickets médios relevantes (R$ 7,6 mil e R$ 11,3 mil, respectivamente). A forte variação no cheque (queda em 2024 e alta em 2025) pode refletir operações pontuais ou recomposição de garantias comerciais. Já a duplicata mantém tendência estável, com leve alta, associada a relações formais de crédito e financiamento comercial. A categoria “sem pagamento” (notas emitidas sem liquidação direta) mostra forte queda no período (quase 40%), o que pode indicar melhor definição dos métodos de pagamentos e clareza nos lançamentos futuros.

Setores da economia: boleto domina 100% dos segmentos analisados

Setores da economia: boleto domina 100% dos segmentos analisados

Apesar da perda de participação ao longo dos anos, o boleto segue como método nº1 em valor e volume em 100% dos 12 segmentos econômicos analisados.

Em 2023, dominava acima de 60% do valor financeiro em quase todos os segmentos, atingindo picos de:

Em 2023, dominava acima de 60% do valor financeiro em quase todos os segmentos, atingindo picos de:

92%

92%

em Infraestrutura

84%

84%

em Saúde e Farmacêutico

em Saúde e Farmacêutico

Ranking do share de valor financeiro por segmento

Ranking do share de valor financeiro por segmento

Agronegócio

Educação

Energia

Entretenimento e Mídia

Indústria

Infraestrutura

Outros

Saúde e Farmacêutico

Serviços

Setor Público

Tecnologia

Varejo

Boleto bancário

51%

Dinheiro

16%

Transferência bancária e Carteira Digital

10%

Agronegócio

Educação

Energia

Entretenimento e Mídia

Indústria

Infraestrutura

Outros

Saúde e Farmacêutico

Serviços

Setor Público

Tecnologia

Varejo

Boleto bancário

51%

Dinheiro

16%

Transferência bancária e Carteira Digital

10%

Fonte: dados internos Qive, com porcentagens arredondadas.

E, mesmo com a entrada de novos meios, manteve forte presença em volume de documentos em 2025:

75,58%

75,58%

das notas no Varejo

das notas no Varejo

72,47%

72,47%

das notas em Saúde e Farmacêutico

das notas em Saúde e Farmacêutico

Transferências e depósitos crescem em transações de alto valor

Transferências e depósitos crescem em transações de alto valor

Uma análise detalhada mostra que as perdas de share do boleto não ocorrem de forma generalizada, mas, sim, em setores específicos, sobretudo nos quais Transferência e Depósitos se mostram mais fortes por envolverem pagamentos contratuais de altos valores e com maior governança financeira.

É o caso de setores como:

Infraestrutura

Queda expressiva de 21,9 p.p. em boletos (valor e volume).

Energia

Boletos perderam mais de 20 p.p. de 2023 para 2025 em volume, cedendo espaço para transferências (27%) e depósitos (24%) — reflexo de contratos de grande porte.

Setor Público

Comparativo de boleto ano a ano em valor e volume mostrou uma queda de 6,6 p.p.

Fonte: dados internos Qive

No período analisado, outros setores também registraram perdas localizadas em valor: em Serviços, o share de boletos caiu de 71% (2023) para 51% (2025), enquanto as transferências saltaram para 28%, tornando-se o segundo método mais relevante.

Já em segmentos pulverizados, como Varejo e Saúde, o boleto mantém domínio tanto em volume quanto em valor, mesmo registrando quedas pontuais ano a ano.

A análise do ticket médio por transferência em 2025 reforça essa tendência:

A análise do ticket médio por transferência em 2025 reforça essa tendência:

R$ 118 mil

Energia

R$ 55,5 mil

Tecnologia

R$ 29,7 mil

Setor Público

Nesses segmentos, transferências e depósitos se consolidam como métodos preferenciais para liquidação de valores elevados, recorrentes e sujeitos a um maior controle interno.

Entenda por que o boleto ainda é tão predominante

Entenda por que o boleto ainda é tão predominante

Apesar do avanço das transferências, há uma diferença estrutural que explica por que o boleto segue predominante no B2B.

A transferência eletrônica é apenas o meio de liquidação — ela encerra a operação. O boleto, ao contrário, nasce dela: é o documento que formaliza, registra e dá lastro à cobrança. Essa natureza o torna mais adequado para governança, conciliação e até crédito, o que explica sua permanência como base do contas a pagar corporativo.

Em setores de contratos longos e tickets altos, a transferência ganha força pela previsibilidade. Mas nos fluxos diários e pulverizados, o boleto ainda entrega algo que nenhum outro método combina tão bem: rastreabilidade, automação e confiança operacional.

A agilidade, antes vista como a principal vantagem das transferências, vem se tornando menos exclusiva.

Com a modernização da compensação bancária, alguns bancos já realizam liquidação de boletos em D+0, especialmente para títulos registrados e emitidos em ambiente digital. Ainda é uma prática concentrada, mas que sinaliza uma redução gradual da distância operacional entre boleto e transferência.

Na prática, isso reforça que o boleto não é apenas um método tradicional — é um instrumento em evolução, que mantém relevância justamente por combinar controle, rastreabilidade e automação, agora com níveis de agilidade cada vez mais próximos das transferências.

Ticket médio de boletos por segmento

Ticket médio de transferências por segmento

Fonte: dados internos Qive

Ticket médio de boletos por segmento

Ticket médio de transferências por segmento

Fonte: dados internos Qive

Esse perfil de transação, mais concentrado e contratual, explica por que transferências e depósitos ganham espaço nesses segmentos: eles se tornam os métodos preferidos para liquidação de valores altos, recorrentes e com um maior controle interno. Especialmente em contratos de longo prazo e setores com governança financeira mais rígida. Ainda assim, permanecem menos automatizáveis e rastreáveis do que os boletos, exigindo cadastros manuais e controles adicionais para alteração de contas e conciliação.

Já o boleto, embora continue amplamente utilizado, reduz sua participação como canal principal de pagamento e passa a ter um papel mais operacional no fluxo financeiro, associado a emissão, conciliação e controle de contas.

Uma possível explicação para essa movimentação é o uso de sistemas integrados de pagamento e workflow, que permitem que transferências substituam boletos em processos automatizados de contas a pagar com mais facilidade, apesar de já haver a disponibilidade de soluções que automatizam esses processos, independentemente do método de pagamento.

Transferências (TED)

Transferências (TED)

Entre 2023 e 2025, a participação das Transferências no valor total transacionado subiu de 11,6% em 2023, para 14,2% em 2025, um avanço de 2,6 pontos percentuais. Em volume de notas, o aumento foi mais discreto, de 7,8% para 9,1%, reforçando o perfil concentrado e contratual desse método: menos notas, porém com valores significativamente maiores.

Transferências apresentaram crescimento contínuo em valor entre 2023 e setembro de 2025

Transferências apresentaram crescimento contínuo em valor entre 2023 e setembro de 2025

28%

Serviços

27%

Energia

27%

Setor Público

21%

Tecnologia

Fonte: dados internos Qive

Em 2025, as transferências se destacam especialmente em setores de alto ticket e operações contínuas, como Serviços (28%), Energia (27%), Setor Público (27%) e Tecnologia (20,7%). Esses mesmos setores já mostravam tendência de crescimento em 2023: Serviços (17,5%), Energia (12,1%), Setor Público (19,8%) e Tecnologia (15,1%), reforçando a evolução sustentada do método.

Em outros segmentos, as transferências têm presença restrita, indicando que não substituem o boleto de forma homogênea:

  • Varejo: as transferências são apenas 10,7% do valor total, praticamente estáveis em relação a 2023, com o boleto mantendo acima de 67%.

  • Saúde e Farmacêutico: leve queda de 9,5% para 8,4% em 2025, diante da predominância de boletos e repasses bancários automatizados de clínicas e hospitais.

  • Indústria: estabilidade em torno de 12,3%, com leve recuo de 0,5 p.p., refletindo fluxos complexos de múltiplos fornecedores e uso intenso de boletos e depósitos.

  • Infraestrutura: queda de 1 p.p., alcançando 11,2% do valor, enquanto depósitos e boletos seguem mais relevantes para operações de obra, manutenção e adiantamentos contratuais.


    A adoção das transferências está fortemente ligada a operações contratuais e previsíveis, em que o controle bancário e a rastreabilidade são prioritários. Mesmo com menor frequência, elas representam parcela significativa do valor movimentado, sinalizando amadurecimento e automação dos fluxos financeiros, com foco crescente em conciliação automática, previsibilidade de caixa e integração entre financeiro e ERP.

Em 2025, as transferências se destacam especialmente em setores de alto ticket e operações contínuas, como Serviços (28%), Energia (27%), Setor Público (27%) e Tecnologia (20,7%). Esses mesmos setores já mostravam tendência de crescimento em 2023: Serviços (17,5%), Energia (12,1%), Setor Público (19,8%) e Tecnologia (15,1%), reforçando a evolução sustentada do método.

Em outros segmentos, as transferências têm presença restrita, indicando que não substituem o boleto de forma homogênea:

  • Varejo: as transferências são apenas 10,7% do valor total, praticamente estáveis em relação a 2023, com o boleto mantendo acima de 67%.

  • Saúde e Farmacêutico: leve queda de 9,5% para 8,4% em 2025, diante da predominância de boletos e repasses bancários automatizados de clínicas e hospitais.

  • Indústria: estabilidade em torno de 12,3%, com leve recuo de 0,5 p.p., refletindo fluxos complexos de múltiplos fornecedores e uso intenso de boletos e depósitos.

  • Infraestrutura: queda de 1 p.p., alcançando 11,2% do valor, enquanto depósitos e boletos seguem mais relevantes para operações de obra, manutenção e adiantamentos contratuais.


  • A adoção das transferências está fortemente ligada a operações contratuais e previsíveis, em que o controle bancário e a rastreabilidade são prioritários. Mesmo com menor frequência, elas representam parcela significativa do valor movimentado, sinalizando amadurecimento e automação dos fluxos financeiros, com foco crescente em conciliação automática, previsibilidade de caixa e integração entre financeiro e ERP.

Depósitos

Depósitos

Já os depósitos mantêm uma trajetória de crescimento moderado, porém consistente, entre 2023 e setembro de 2025, reforçando seu papel como meio complementar de liquidação em pagamentos B2B — especialmente em repasses, adiantamentos e operações específicas do setor público e industrial.

Em valor financeiro, a participação dos depósitos passou de 7,87% em 2023 para 8,73% em 2025. Em volume de notas, a evolução é mais tímida, de 2,99% para 5,7%, reforçando o perfil de baixa frequência, mas alto valor unitário.

Em 2025, os depósitos se destacam em: Setor Público (22,8%), Infraestrutura (11,2%), Indústria (9,4%) e Serviços (7,8%), refletindo operações contratuais, repasses diretos e pagamentos estruturados. Em 2023, esses mesmos setores já exibiam concentração relevante: Setor Público (19,1%), Infraestrutura (7,4%), Indústria (8,1%) e Serviços (6,5%), indicando uma tendência de uso contínuo e mais controlado.

Nos demais segmentos, o depósito aparece como método residual, associado a pagamentos pontuais, acordos diretos e transações sem automação bancária plena.

Embora ainda distante da escala das transferências, os depósitos ganham relevância como meio de repasse previsível e de governança, associados a pagamentos de maior valor e menor risco operacional.

O crescimento gradual desse método acompanha a digitalização bancária, o fortalecimento de controles internos e o uso de mecanismos híbridos de liquidação, em que depósitos e transferências convivem em fluxos automatizados.

O depósito, portanto, manteve um papel intermediário entre boleto e transferência, concentrando pagamentos diretos e repasses institucionais

Em 2025, o ticket médio supera R$ 30 mil em setores como Serviços (R$ 31,5 mil) e Setor Público (R$ 42 mil), o que reforça seu uso em operações controladas e previsíveis. Embora menos expressivo em volume, o pagamento por depósito continua relevante em setores com processos financeiros tradicionais e regras contratuais mais rígidas, funcionando como alternativa complementar às transferências eletrônicas.

Pix: método ainda encontra limitações no universo B2B

Pix: método ainda encontra limitações no universo B2B

Apesar de o Pix ser o método de pagamento mais utilizado no Brasil, segundo dados da Febraban (só em 2024, foram 63,8 bilhões de transações, um crescimento de 52% ante os 41,9 bilhões do ano anterior), ele ainda enfrenta limitações no universo B2B.

Segundo dados da Qive, o Pix registrou um crescimento considerável em relação a 2023, quando computava apenas 0,8% do volume de notas nos pagamentos realizados – em 2025, o share é de 1,6%. No entanto, ele ainda permanece marginal em valor — com apenas 0,5% do total financeiro movimentado em 2025.

Isso sugere que, no B2B, o uso do Pix é feito de forma complementar, além de se concentrar em pagamentos rápidos e de baixo valor, principalmente em segmentos de alta pulverização como Varejo e Serviços. Seu ticket médio é o menor entre todos os métodos, reforçando o perfil de liquidação imediata e não contratual.

Essa diferença entre a adoção do Pix por pessoas físicas e por empresas indica um fenômeno importante: nas transferências interpessoais e em alguns setores da economia, o Pix já se consolidou como a alternativa desejada e padrão de agilidade, como mostram os números da Febraban. 

No entanto, no universo B2B, barreiras operacionais, regulatórias e de governança ainda restringem seu avanço. Entre os potenciais fatores que limitam seu uso corporativo podem ser listados:

  • Conciliação e controle: o Pix é instantâneo, mas de difícil rastreio contábil em grandes operações, o que reduz o uso em pagamentos corporativos. Ao passo que boletos oferecem comprovantes padronizados e facilmente integráveis a ERPs.

  • Políticas de aprovação: empresas com maior governança financeira preferem métodos que permitam etapas adicionais de validação. 

  • Regulação: setores regulados (Energia, Público, Saúde) mantêm restrições institucionais acompanhar tão rapidamente a inovação de métodos de pagamento, na maioria das vezes com o objetivo de proteger ao máximo o caixa da companhia contra saídas de caixa equivocadas.

  • Segurança e compliance: transações instantâneas aumentam risco de erro e fraude.

  • Integração tecnológica: muitos sistemas corporativos ainda não estão preparados para o Pix como fluxo principal de pagamento.

  • Limites de escopo: por ser restrito ao território nacional e até regional, o Pix não atende empresas que mantêm fornecedores internacionais, o que reforça a dependência de métodos como transferências bancárias, cartões ou operações de câmbio formal.

  • Cultura organizacional: empresas ainda tratam o Pix como ferramenta de pessoa física, sem integração total aos seus ERPs.

Tendência futura: com a expansão do Pix Automático e do Pix Agendado e a  evolução no Open Finance, há potencial de avanço no contas a pagar de pequenas e médias empresas, mas o método ainda é residual nas transações B2B de grande porte e não deve alterar de forma significativa o panorama dos pagamentos corporativos no curto prazo. Sendo assim, o boleto continua sendo o padrão de confiança, controle e compliance no B2B. 

Em todos os segmentos, Pix ainda não é usado em transações de alto valor

Em todos os segmentos, Pix ainda não é usado em transações de alto valor

Nos dados de 2025, o Pix apresenta presença relevante apenas em volume em alguns setores, mas com baixa contribuição em valor financeiro:

  • Varejo e Serviços concentram o maior número de transações via Pix, ainda que com baixo ticket médio.

  • Setores de alto valor, como Energia, Indústria e Setor Público, apresentam uso praticamente residual, abaixo de 0,5% em share financeiro.

  • Saúde e Tecnologia aparecem com uso moderado, ligado a pagamentos operacionais e fornecedores de pequeno porte.

Em todos os segmentos, o padrão se repete: alta capilaridade, mas baixo valor agregado.

Em setores como Varejo, a diferença entre o volume e o valor é a mais expressiva, enquanto Energia e Setor Público permanecem praticamente inalterados no uso do método.

Na análise do ticket médio por setor, fica ainda mais evidente que o Pix segue com participação marginal em valor, consolidando sua presença apenas em volume e capilaridade. 

O ticket médio do Pix em 2025 varia entre R$ 2 mil e R$8 mil, reforçando seu papel em pagamentos de rotina e liquidações pontuais.

Apesar do crescimento constante desde 2023, o Pix ainda não absorve transações corporativas de alto valor, permanecendo como um meio ágil, imediato e complementar no ecossistema de pagamentos B2B.

Ticket médio pix 2025

Fonte: dados internos Qive

“À primeira vista, o Pix deveria liderar pelo custo mais baixo. Mas, na prática, o boleto continua dominante no B2B por um fator muito brasileiro: a possibilidade de cobrança e protesto, que traz mais segurança e governança às empresas.”

Leandro, Controller da Unidas

Análise por segmento econômico: cada setor tem um padrão próprio de liquidação

Análise por segmento econômico: cada setor tem um padrão próprio de liquidação

A leitura dos pagamentos B2B entre 2023 e 2025 revela um cenário dinâmico e heterogêneo, com padrões de liquidação específicos em cada setor, determinados pelo tipo de operação, porte das transações e nível de automação financeira.

Entre 2023 e 2025, Varejo e Indústria concentram o maior volume de notas, enquanto Energia, Tecnologia, Serviços e Setor Público lideram em valor financeiro. Essa diferença reflete o contraste entre operações pulverizadas (grande volume, baixo ticket) e contratuais (baixo volume, alto ticket).

Apesar disso, a base de pagamentos está longe de se concentrar em poucos setores: há sinais claros de redistribuição e mudança de comportamento em segmentos como Energia, Serviços e Infraestrutura.

Entre 2023 e 2025, três movimentos principais de destacam: 

  • Migração de valor para setores mais dinâmicos e digitalizados, como Varejo e Indústria

  • Redução de ticket médio em setores de alto CAPEX, como Energia e Infraestrutura.

  • Crescimento do volume em Serviços e em Saúde, indicando maior capilaridade e diversificação dos fluxos de pagamento.

A base do B2B brasileiro, portanto, não está concentrada — ela se mostra ampla e em redistribuição constante, acompanhando o avanço da digitalização nos setores e a adoção de novos formatos de transação.

De forma geral, o comportamento setorial pode ser agrupado em dois grandes perfis: 

  • Setores pulverizados (Varejo, Saúde, Infraestrutura) -  predominância de boletos e baixo ticket

  • Setores contratuais (Energia, Tecnologia, Serviços, Setor Público) - maior concentração de valor em transferências e depósitos.

Varejo

Indústria

Tecnologia

Serviços

Infraestrutura

Energia

Saúde e Farmacêutico

Agronegócio e Setor Público

Mais valor em menos notas

O segmento mantém a liderança absoluta no contas a pagar corporativo: representa 50,2% do valor financeiro total e 61% do volume de notas em 2025.

Apesar da leve redução de volume (–4 p.p. desde 2023), o setor ampliou seu peso financeiro (+7 p.p.), o que elevou o ticket médio em 24%.

O Varejo continua sendo o setor com maior volume de notas — ultrapassando 60% das transações em alguns anos — mas com um dos menores tickets médios (R$ 9 mil em 2025). O uso de Pix e cartões cresce nesse grupo, mas sem impacto relevante no valor financeiro total.

O desempenho reforça um padrão de consolidação e eficiência, com pagamentos mais concentrados por fornecedor e integração crescente com marketplaces e sistemas de gestão. 

O varejo digitalizado impulsiona a média nacional e reflete o avanço da automação no fluxo de compras e pagamentos.

No segmento-líder, o boleto é o método mais usado ao longo dos anos. (Fonte: dados internos da Qive)

A transformação dos pagamentos no Brasil é gradual, não ruptiva

A transformação dos pagamentos no Brasil é gradual, não ruptiva

A evolução dos pagamentos B2B é gradual, e reflete muito mais a adaptação das empresas do que uma troca imediata de métodos. A análise da base da Qive mostra uma redistribuição lenta e heterogênea entre os meios de pagamento. O que muda não é apenas o canal, mas a forma como as empresas se organizam: seus contratos, rotinas e a relação com fornecedores.

Para cada compra, recorrência e cenário operacional, a escolha do método é estratégica, considerando fatores como antecipação de recebíveis, duplicatas e créditos.

O boleto segue predominante nos fluxos recorrentes e pulverizados, onde o controle, a rastreabilidade e a previsibilidade são essenciais. Ele sustenta o dia a dia das operações e traduz a busca por segurança em escala, apoiado por registros formais e sistemas como o DDA, que garantem integridade dos dados e automação confiável. Reflexo disso são os tickets médios analisados. 

Já as transferências ganham espaço em operações contratuais, planejadas e de maior valor, impulsionadas pela digitalização dos fluxos bancários e pela integração entre financeiro e ERP. Elas avançam como sinal de maturidade e automação, mas ainda sem substituir o papel central do boleto no equilíbrio operacional.

O Pix Automático e o Pix Agendado devem abrir novas oportunidades, principalmente para pequenas e médias empresas, mas o impacto ainda é limitado nas operações B2B de grande porte. No curto prazo, o cenário não muda de forma significativa, embora o médio prazo aponte para avanços importantes, conforme na análise de 2023 a 2025.

No fim, a transformação dos pagamentos corporativos reflete a própria transformação das empresas: de processos manuais para fluxos integrados, de controle fragmentado para visibilidade total.

É uma mudança de ritmo, não de essência. E, nesse ritmo, o boleto continua sendo o elo entre confiança e eficiência, pois sem dúvida, é mais fácil de rastrear e automatizar, sustentando o modelo de negócios que ancora o B2B brasileiro.

Por que o preenchimento correto dos meios de pagamento importa

Por que o preenchimento correto dos meios de pagamento importa

Engana-se quem ainda acredita, em 2025, que os dados fiscais servem apenas para cumprir obrigações tributárias. Cada documento fiscal, em sua maioria, é também um documento de pagamento — é o registro de uma transação entre empresas e, quando envolve pagamento, carrega um conjunto de informações financeiras valiosas: meios de pagamento, histórico de preços e relacionamento com fornecedores.

Esses dados são uma das principais fontes de inteligência financeira das companhias, mas sua qualidade depende do preenchimento correto na emissão da nota. O campo “Tipo de Pagamento (tpag)”, por exemplo, é obrigatório e indica como a operação foi quitada: boleto, transferência, PIX, cartão, entre outros.

Quando esse campo é preenchido incorretamente ou deixado em branco, perde-se a rastreabilidade sobre como a empresa realmente paga e recebe, o que compromete análises sobre eficiência, custos e riscos.

Da mesma forma, ERPs desatualizados ou integrações incompletas com fornecedores podem gerar inconsistências, como registros genéricos (“outros” ou “não informado”).

Garantir a padronização dos dados fiscais, manter sistemas atualizados e alinhar os processos de pagamento são práticas que fortalecem o controle financeiro e permitem responder perguntas críticas:

  • Quais métodos de pagamento concentram maior volume e valor?

  • Qual é o ticket médio por tipo de pagamento?

  • Em quais canais há mais atrasos, divergências ou retrabalho?

Essas informações ajudam empresas a compreender seus fluxos de pagamento, identificar oportunidades de crédito e negociação e transformar dados operacionais em informação estratégica para gestão financeira.

Por que acompanhar os fluxos de pagamento

Por que acompanhar os fluxos de pagamento

Os fluxos de pagamento refletem diretamente a saúde operacional e financeira de uma empresa. Monitorar como, quando e por quais canais os pagamentos são feitos permite identificar padrões, gargalos e oportunidades de melhoria em toda a cadeia.

Mais do que uma rotina administrativa, esse acompanhamento é uma forma de entender o comportamento financeiro da operação: mostra se há dependência excessiva de um método de pagamento, concentração de valores em poucos fornecedores ou prazos de liquidação desalinhados ao fluxo de caixa.

Também revela como as exceções têm se tornado parte do dia a dia. Pagamentos de emergência, despesas não provisionadas, notas que chegam fora de prazo ou documentos que “brotam do nada” no fechamento.

Esses eventos, quando não monitorados, comprometem o planejamento de caixa, aumentam riscos de duplicidade e reduzem a previsibilidade financeira.

Ao acompanhar a evolução dos métodos ao longo do tempo, é possível perceber mudanças de preferência (como a expansão das transferências e do PIX, mesmo que a passos lentos no B2B), mensurar custos bancários e detectar divergências, que sinalizam riscos de fraudes, duplicidades ou falhas de registro.

Em um ambiente empresarial cada vez mais integrado, com necessidade de celeridade e automatizado com os dados certos, acompanhar os fluxos de pagamento é acompanhar a própria operação. É o que dá visibilidade para decisões mais seguras sobre caixa, crédito, fornecedores e desempenho financeiro e prepara o terreno para uma gestão verdadeiramente orientada a dados.

O que isso revela para o controle financeiro e para os CFOs

O que isso revela para o controle financeiro e para os CFOs

Para as lideranças financeiras, entender o comportamento dos pagamentos vai muito além do compliance: é uma medida de maturidade operacional, eficiência de capital e previsibilidade de caixa. A qualidade das informações, do processo, controle dos pagamentos define o quanto a empresa enxerga, ou não, a própria realidade financeira.

Em estruturas complexas, o CFO precisa lidar com um volume crescente de provisionamentos, exceções e pagamentos que acabam se tornando parte da rotina.

Cada variação — um novo fornecedor, um adiantamento fora do ciclo ou uma nota esquecida — interfere diretamente no fluxo de caixa e na precisão das previsões.

Em operações que gerenciam múltiplos fornecedores e altos volumes de transações, tanto em quantidade de notas quanto em valores financeiros, qualquer erro de registro ou processamento pode gerar impactos significativos: desde multas e juros até inconsistências contábeis que afetam a confiabilidade dos resultados.

Por isso, ter dados padronizados e confiáveis é essencial para separar o que é exceção do que virou padrão, permitindo decisões mais rápidas e assertivas.

Com visibilidade sobre o ciclo completo, da emissão, recepção automática de faturas e pagamentos, a geração do pagamento e à liquidação, os times de contas a pagar passam a ter indicadores sólidos para decisões de alto impacto:

  • negociar prazos e condições de pagamento mais estratégicos;

  • antecipar riscos de descasamento de caixa;

  • avaliar o desempenho de fornecedores e parceiros;

  • identificar oportunidades de ganho financeiro (como otimização de taxas, volumes e prazos).

Essa visibilidade também é o que sustenta processos de auditoria e governança: permite comprovar a integridade dos dados financeiros, demonstrar controles internos e garantir conformidade nas análises de risco.

No relacionamento com investidores e conselhos, é o que dá respaldo técnico para defender números de crescimento, justificar variações e apresentar previsões (forecast) com segurança. Times que passam por todas as etapas: compras, fiscal, tributário, tesouraria e contas a pagar, fazem o operacional bem feito e movem o ponteiro do negócio, fortalecendo a relação com o CFO.

Em operações de grande escala, onde milhares de notas circulam por mês, ter dados consistentes não é apenas uma formalidade, é o que permite controlar custos, reduzir riscos e guiar decisões com base em evidências reais.

A clareza sobre como e quando o dinheiro sai é, no fim, uma das chaves para garantir que ele volte, de forma mais eficiente, previsível e transparente.

Conclusão

Conclusão

O Panorama de Contas a Pagar 2026 evidencia que compreender como as empresas pagam, e o quanto os fluxos mudaram nos últimos anos, é entender o coração das operações financeiras no Brasil.
Cada método de pagamento, cada nota e cada exceção registrada contam uma parte dessa história: de onde vêm os custos, como o caixa é administrado e onde estão as brechas que ainda geram perdas.

Para o CFO e suas equipes, esse olhar não é apenas analítico, mas estratégico. É o que permite transformar dados fiscais em informação de gestão, antecipar riscos e sustentar decisões que impactam diretamente a eficiência, o crédito e a reputação financeira da empresa.

Ao consolidar dados reais de pagamentos B2B de todo o país, o Panorama busca iluminar esses movimentos, mostrando como a tecnologia, a padronização e a qualidade das informações estão redefinindo o controle financeiro das empresas brasileiras.

O Panorama de Contas a Pagar 2025 evidencia que compreender como as empresas pagam, e o quanto os fluxos mudaram nos últimos anos, é entender o coração das operações financeiras no Brasil.

Cada método de pagamento, cada nota e cada exceção registrada contam uma parte dessa história: de onde vêm os custos, como o caixa é administrado e onde estão as brechas que ainda geram perdas.

Para o CFO e suas equipes, esse olhar não é apenas analítico, mas estratégico. É o que permite transformar dados fiscais em informação de gestão, antecipar riscos e sustentar decisões que impactam diretamente a eficiência, o crédito e a reputação financeira da empresa.

Ao consolidar dados reais de pagamentos B2B de todo o país, o Panorama busca iluminar esses movimentos, mostrando como a tecnologia, a padronização e a qualidade das informações estão redefinindo o controle financeiro das empresas brasileiras.

* Os dados de 2025 ainda não estão completos, pois tradicionalmente há aumento significativo no volume de compras e gastos nos meses de outubro a dezembro, relativo a datas comerciais como Black Friday e Natal, além das férias de fim de ano.



** O pagamento em "dinheiro" é aceito dentro da NFe, mas sem validação oficial da Sefaz. Isso significa que cada usuário pode classificá-lo conforme achar mais adequado em cada nota fiscal, sem um critério padronizado. O tópico “dinheiro” não representa, necessariamente, transações em espécie.

A plataforma que redefine o Contas a Pagar

Siga a Qive nas redes

©2025 Qive • Todos os direitos reservados

A plataforma que redefine o Contas a Pagar

Siga a Qive nas redes

©2025 Qive • Todos os direitos reservados

A plataforma que redefine o Contas a Pagar

Siga a Qive nas redes

©2025 Qive • Todos os direitos reservados

A plataforma que redefine o Contas a Pagar

Siga a Qive nas redes

©2025 Qive • Todos os direitos reservados